A vida não premia ela responde.
Quando falamos em sorte, muitos imaginam algo externo um golpe de destino, uma coincidência feliz, um acaso que favorece alguns e ignora outros.
Mas sob a visão sistêmica, a sorte não é uma força aleatória, ela é uma expressão do equilíbrio interno e do alinhamento com o fluxo da vida.
Sorte é o movimento natural da vida quando tudo está no seu lugar.
O que sustenta o fluxo da vida
Quando pertencemos ao nosso sistema de origem com respeito, quando reconhecemos nossos pais e aceitamos a vida exatamente como ela chegou até nós, abrimos espaço para que a energia da prosperidade, da leveza e das oportunidades possa circular livremente.
É nesse ponto que o que chamamos de “sorte” começa a acontecer.
Bert Hellinger dizia que a vida flui através das Ordens do Amor:
pertencimento, hierarquia e equilíbrio entre o dar e o receber.
Sempre que essas ordens são honradas, a vida se organiza.
E onde há ordem, há fluidez.
E onde há fluidez, há sorte.
Por isso, a sorte não é prêmio é consequência, ela nasce quando o movimento interno está em harmonia com o externo, quando a alma ocupa o próprio lugar e segue adiante sem culpa, em paz com o que veio antes.
Quando as ordens são feridas
Mas quando uma ou mais dessas leis são feridas, a vida deixa de fluir com a mesma leveza, não porque exista castigo, mas porque o fluxo natural se interrompe.
E o que antes parecia sorte começa a parecer distância.
O Pertenecimento
O pertencimento assegura que todos pertencem ao sistema familiar, quando alguém é excluído, esquecido, julgado ou negado, o amor busca restaurar o equilíbrio de forma invisível. Um descendente, movido por lealdade, pode repetir o destino daquele que ficou de fora adoecendo, fracassando, sentindo-se sem lugar no mundo.
É como se dissesse em silêncio:
“Eu te vejo. E fico no seu lugar para que você não fique sozinho.”
Enquanto houver alguém não reconhecido, a vida não flui com toda a sua força.
A Hierarquia
Na hierarquia quem veio antes tem precedência, assim a vida segue uma direção: dos pais para os filhos, porem quando essa ordem é invertida, o filho se torna o “grande” e tenta cuidar, sustentar ou corrigir os pais, o amor, que antes era força, se transforma em peso.
A consequência é a dificuldade de seguir: os projetos travam, o dinheiro escapa, e a vida parece sempre pedir esforço demais.
Restaurar a hierarquia é reconhecer:
“Vocês vieram antes. Eu venho depois. E sigo com a vida que recebi.”
O Equilíbrio
Toda relação saudável se sustenta no movimento entre o dar e receber, o equilíbrio, quando alguém dá demais, se esvazia, quando recebe demais, se culpa.
E quando o equilíbrio se rompe, surgem o ressentimento, a cobrança e o afastamento.
No trabalho, isso se mostra como cansaço, desvalorização ou estagnação.
Nos relacionamentos, como vínculos desiguais e afetos que adoecem.
Restaurar o equilíbrio é permitir que o amor volte a circular sem precisar provar, compensar ou se esvaziar.
Quando uma ou todas as ordens são feridas, a alma se desconecta da sua própria força.
A pessoa sente que a sorte a abandonou, mas a verdade é que a sorte não vai embora ela apenas espera.
Espera que cada coisa volte ao seu lugar.
Espera que os esquecidos sejam lembrados.
Espera que o amor volte a fluir entre as gerações.
E quando isso acontece, o que antes era peso se transforma em força, o que parecia bloqueio se torna caminho.
E o que chamamos de sorte nada mais é do que a vida voltando a fluir.
Sorte é o reflexo da ordem restaurada.
É o fruto maduro de uma alma reconciliada com sua origem.
E talvez seja esse o verdadeiro sentido da sorte: estar em paz com o destino que te trouxe até aqui e disponível para os caminhos que ainda virão.
Um Convite à Transformação
Se ao ler essas palavras você sentiu que algo dentro de você pede um novo olhar,
talvez seja o momento de pausar e se escutar.
A vida sempre dá sinais em forma de repetições, conflitos, bloqueios ou cansaços silenciosos, mas quando olhamos com consciência, esses sinais se transformam em portais de transformação.
Permita-se olhar para a sua história com mais gentileza.
A sorte não está lá fora ela começa dentro, no instante em que você decide se reconciliar com a vida.
"Cada pessoa carrega uma história única e um movimento próprio de cura."
No atendimento sistêmico, abrimos um espaço seguro para olhar com respeito para o que pesa, restaurar a ordem e permitir que a vida volte a fluir com leveza.